“O melhor amor é aquele que a gente não viveu.”
Essa frase veio de uma pessoa que me contava a frustração de ter vivido dois casamentos que não deram certo e, ainda assim, nunca ter esquecido o primeiro namorado.
"Nemi, você já ouviu falar daquela expressão The One That Got Away?"
"Já, claro, mas quem foi que escapou de você?"
"Meu primeiro namorado."
Confesso que ouvi aquilo com certo ceticismo. Afinal, a memória costuma ser uma excelente editora. A gente olha para o passado com filtros que não existiam quando estava vivendo a história. Principalmente quando acredita que a vida poderia ter sido muito melhor se algumas decisões tivessem sido diferentes.
Ela lembrava do final da adolescência, do início da faculdade, das conversas, dos planos. E percebia que o término tinha acontecido porque, naquela época, estava tão ocupada correndo atrás dos seus ideais e projetos que não conseguia enxergar potencial naquela relação e então terminou.
Exigia de um rapaz de 18 anos a maturidade, a segurança e o apoio emocional de alguém com muito mais experiência de vida e se arrependia muito disso.
"Amiga, calma; as coisas vão melhorar. É o luto do fim de uma relação e nessas horas a gente questiona tudo mesmo."
A vida seguiu.
Uns dois anos depois, recebo uma mensagem dela no WhatsApp:
"Estou no fórum, adivinha quem está aqui?"
Não entendi direito até que veio uma foto e logo depois, um áudio:
"O passado que eu nunca mais tinha visto acabou de sorrir para mim."
Sim, eles se reencontraram, vinte e seis anos depois (ou próximo disso, não lembro exatamente).
Ele separado, ela também; conversaram, se reconectaram. E estão juntos até hoje, super felizes.
Toda vez que falo sobre Júpiter conectando à Casa 7, lembro dessa história.
Mas, principalmente, da imagem que guardo daquela noite. Nós duas sentadas com uma taça de vinho, resmungando sobre a vida, cada uma carregando seus próprios desencantos. Nossos Saturnos em Virgem funcionando a pleno vapor, encontrando defeitos, revisando escolhas e fazendo auditoria de tudo o que não tinha saído como planejamos. E em um momento os olhos dela brilharam de uma maneira que acendia a alma. Acho bonito observar esse instante: o momento exato em que uma possibilidade feliz volta a existir dentro de alguém.
Você sabe onde está o potencial de fazer seus olhos brilharem outra vez?
Pode ser que a resposta esteja justamente neste ciclo de Júpiter em Leão.